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Pesquisa revela resultados da aferição de fluxos de gases de efeito estufa no Rio Pará

Seminário apresenta, dia 13, o produto da expedição científica pelos rios da região, no Parque de Ciência e Tecnologia Guamá, evento aberto ao público

Por Sérgio Moraes (PCTGuamá)
06/04/2023 13h54

Barco laboratório Mirage faz monitoramento inédito do fluxo de gases de efeito estufa pelo estuário da região, a partir do ParáO Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá receberá no dia 13 de abril, às 9h, no auditório do espaço Empreendedor, o “I seminário sobre Química das Águas e emissões de gases de efeito estufa no sistema estuarino do rio Pará”. O evento é gratuito e para participar o público deverá se dirigir ao local no dia e horário da atividade.

Serão apresentados os resultados da primeira expedição científica do projeto Rio Pará, o barco laboratório Mirage (de forma virtual) e o funcionamento do analisador de gases de efeito estufa, Picarro, instalado no PCT Guamá. Além do monitoramento em tempo real, o recurso ainda determina o valor isotópico do carbono, podendo rastrear sua origem. Este equipamento é o primeiro e único no Pará.

Na primeira expedição científica do projeto de pesquisa, “Influência dos Processos Hidrodinâmicos sobre as Trocas de carbono e nitrogênio no Sistema estuarino do rio Pará”, a bordo do Mirage, a equipe composta por 10 pesquisadores de diferentes instituições do Brasil, percorreu cerca de 900 quilômetros entre Belém, estreito de Breves, Canal Boiuçu, Rio Tocantins, Rio Pará, Guamá e Acará. Ao longo do trajeto, o registro contínuo de pH da água, condutividade elétrica da água, oxigênio dissolvido, turbidez, salinidade, clorofila, concentração de CO2, CH4 e valores isotópicos de carbono, permitiu se ter o primeiro mapa com tais parâmetros biogeoquímicos. Além do registro, inúmeras amostras de água, sedimentos, gases, microplástico e vazão do rio estão sendo determinados em pontos estratégicos. É o primeiro registro com tal grau de detalhamento e precisão.

Pioneira - Coordenado pela pesquisadora Vania Neu, esta é a primeira expedição em grandes rios amazônicos realizada por uma equipe totalmente brasileira e financiada com recurso do governo do estado do Pará.

O banco de dados gerados com monitoramentos interanuais possibilitam prever possíveis impactos antrópicos e determinar até que ponto a natureza é capaz de suportar estas alterações. À medida que se constituir um banco de dados detalhado, preciso e com amostragens a longo prazo, será possível realizar o planejamento estratégico sustentável para uma determinada bacia, de forma a manter sua funcionalidade e a prestação de seus serviços ecossistêmicos. Por meio de modelos numéricos também será possível integrar informações para regiões onde não haja medições.

Estudos desta natureza na região amazônica são raros em função de fatores, tais como dificuldades logísticas; alto custo das expedições científicas desta natureza; difícil acesso às áreas remotas cujas séries históricas de dados hidrológicas são restritas ou inexistentes, como é o caso do sistema estuarino do rio Pará.

Ao final dos três anos de projeto, a equipe de pesquisadores vai entregar ao estado do Pará um banco de dados com informações essenciais para subsidiar as decisões do governo frente às alterações climáticas em curso.

O seminário é uma realização da Fundação Guamá, organização social (OS) gestora do parque, do projeto rio Pará, e conta com o apoio da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas do Pará (Fapespa) e da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Educação Técnica e Tecnológica (Sectet).

O PCT Guamá – O PCT Guamá é uma iniciativa do Governo do Pará, por meio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Educação Técnica e Tecnológica (Sectet), que conta com a parceria da Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e gestão da Fundação Guamá.

É o primeiro parque tecnológico a entrar em operação na região Norte do Brasil e tem como principal objetivo estimular a pesquisa aplicada e o empreendedorismo inovador e sustentável.

Situado em uma área de 72 hectares entre os campi das duas universidades, o PCT Guamá conta com mais de 40 empresas residentes (instaladas fisicamente no parque), mais de 60 associados (vinculadas ao parque, mas não fisicamente instaladas), 12 laboratórios de pesquisa e desenvolvimento de processos e produtos, com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e a Escola de Ensino Técnico do Estado do Pará (Eetepa) Dr. Celso Malcher, além de atuar como referência para o Centro de Inovação Aces Tapajós (Ciat), em Santarém, oeste do estado.

Membro da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), da Associação Internacional de Parques de Ciência e Áreas de Inovação (IASP), o PCT Guamá faz parte do maior ecossistema de inovação do mundo.

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